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Transição de carreira para ESG e sustentabilidade: algumas considerações.



O mercado de trabalho está aquecido e a crescente narrativa social dos trabalhos de impacto associadas aos temas de sustentabilidade, ESG e regeneração estão despertando (ou acelerando uma vontade já existente em muitas pessoas) de trabalhar com carreiras verdes.


Se você quiser entender o que são carreiras verdes, escrevi um artigo falando sobre isso e está nesse link:

https://www.carreirasverdes.com/post/o-que-diz-o-primeiro-estudo-brasileiro-sobre-os-profissionais-de-carreiras-verdes


A transição verde está acontecendo e irá acelerar com o passar do tempo. Uma das consequências dessa transição é o risco que profissionais de algumas áreas correm de perder seus empregos se não “surfarem a onda verde”. Nesse contexto, surge a necessidade de fazer uma transição de carreira. Por acompanhar muitos profissionais com dúvidas sobre essa área, escolhi escrever sobre alguns pontos que devem ser considerados por profissionais que desejam esverdear suas carreiras.


Antes de tudo, é importante explicar que eu utilizarei o termo ESG e sustentabilidade como sinônimos nesse artigo. Outra observação é que esse artigo é focado para pessoas que possuem experiências de trabalho. Ou seja, profissionais que atuam em áreas “tradicionais” e querem esverdear suas carreiras. Para jovens e universitários existem algumas orientações específicas, mas esse público também aproveitará os pontos que irei abordar.


Além disso, esse artigo não é focado em como escolher uma área para atuar em carreiras verdes, pois irei abordar esse tema em outra publicação. A tomada de decisão profissional precisa considerar outros critérios, embora os pontos que explico a seguir se conectem à questão da escolha da área.


Saber qual será seu objeto e instrumento de trabalho


Objetos de trabalho são os temas do enfoque do seu trabalho e os instrumentos são através do que você trabalha. Por exemplo, um biólogo pode atuar com restauração (objeto) através de pesquisa (instrumento). Os objetos de trabalho tendem a ser mais estáveis ao longo da carreira, já os instrumentos podem variar com o tempo e o contexto de trabalho.


Primeiro passo é entender se o objeto e os instrumentos de trabalho com os quais você já atua serão os mesmos para a área de carreiras verdes. Isso impacta no tipo de transição que você fará. Por exemplo, um profissional que trabalha na área de energia e quer atuar com energias renováveis irá fazer uma transição diferente de um profissional que atua em controle de qualidade e deseja trabalhar com finanças verdes. O segundo exemplo irá fazer uma transição com uma mudança significativa de objeto e instrumento de trabalho.


Estudar os temas específicos da área de atuação e temas afins


As carreiras verdes contemplam um universo de conhecimentos e, no anseio de entender esse universo, muitos profissionais acabam investindo dinheiro e tempo em formações que não trarão grande impacto para sua empregabilidade por não estarem conectadas ao objeto de trabalho.


Existem conhecimentos “básicos” para atuar em carreiras verdes. Esses conceitos são essenciais para dialogar com qualquer área de atuação e capacitam os profissionais a efetivarem a multidisciplinaridade que a área exige. Alguns desses conhecimentos são: pegada de carbono, objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), mudanças climáticas, ESG, sustentabilidade, regeneração, justiça climática, economia verde, economia circular, entre outros.


Já os conhecimentos específicos estão associados ao enfoque da atuação. Profissionais que atuam com mercado de carbono precisam saber sobre GHG Protocol, por exemplo. Analistas de sustentabilidade e ESG que atuam em empresas precisam saber sobre GRI e outras métricas, o profissional que trabalha na área ambiental precisa saber a ISO 14.001.


Então, para realizar uma transição para carreiras verdes é fundamental estudar de maneira estratégica. Investir em cursos mais generalistas para aprender os temas afins, e em cursos específicos para se capacitar de acordo com o enfoque da carreira escolhida. É importante ter consciência que pode demorar um tempo para construir uma base de conhecimento, e a compreensão necessária sobre eles, para se inserir no mercado de trabalho e se sentir confortável para trabalhar.


Saber transferir suas competências para a área de ESG/sustentabilidade


Você já entendeu um pouco sobre o objeto e instrumentos de trabalho, o tamanho da transição que precisa fazer, já sabe quais conhecimentos precisa procurar e agora, como faz para aproveitar a bagagem de competências que você tem?


Dois pontos são importantes sobre isso, o primeiro é ter autoconhecimento sobre suas competências. Liste suas competências, relembre feedbacks que recebeu e reflita sobre o que você sabe fazer. O segundo ponto é entender a rotina de trabalho da carreira verde na qual você quer atuar. O que esse profissional faz? Quais atividades realiza? Para descobrir isso, você pode pesquisar sobre a área, analisar requisitos de vagas e conversar com profissionais que já atuam nela.


Depois de mapear as coisas que você sabe fazer e que podem ser úteis para exercer outro trabalho, compare a lista sobre suas competências e a lista das hard e soft skills que são importantes para a carreira verde. Esse exercício também ajudará você a compreender quais competências precisam ser desenvolvidas.


Entender sobre economia e características da natureza nas regiões do Brasil


O mercado de trabalho é fortemente impactado pela economia. É muito importante que você entenda como a economia impacta os setores econômicos potenciais para a transição verde. Lembre-se que uma escolha de carreira não deve ser feita apenas no critério de ter um “mercado aquecido” para determinada área. Mas é inegável que alguns setores econômicos recebem mais investimentos governamentais e empresariais do que outros quando o assunto é transição verde e urgências planetárias.


Entender se a sua escolha de carreira tem boas perspectivas de empregabilidade ou é uma atuação que está se desenvolvendo aos poucos no Brasil é importante para o seu planejamento de carreira. Acompanho muitos profissionais com dificuldades de inserção nas carreiras verdes e, em alguns casos, um dos motivos é que a área cresce devagar no Brasil mesmo sendo fundamental para a restauração dos sistemas. Isso significa que eles nunca irão atuar com o que desejam? Não. Significa, apenas, que eles precisam planejar estrategicamente o que farão para se desenvolver profissionalmente enquanto a área se torna mais robusta no mercado de trabalho.


E as características da natureza de acordo com as regiões do Brasil? Temos biomas e condições climáticas diferentes no nosso território e isso afeta a economia e o mercado de trabalho. Energia eólica precisa de condições específicas e algumas regiões do Brasil são mais favoráveis do que outras, por exemplo. Além disso, temos questões sociais importantes relacionadas à transição verde e um exemplo tangível é a proteção dos povos indígenas. Se você deseja atuar com essa questão, a região amazônica tem alta demanda.


Esse artigo destacou alguns aspectos fundamentais para realizar uma transição para carreiras verdes. Claro que existem questões específicas que precisam ser analisadas caso a caso. Mas o intuito foi nortear, minimamente, aqueles que querem fazer uma transição para as áreas de carreiras verdes.


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