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Escolhas profissionais: 6 padrões que irão dificultar sua tomada de decisão

Nossa carreira inicia com a decisão sobre uma profissão que seguiremos. Muitas pessoas acreditam que essa será a escolha mais importante de uma carreira, mas não imaginam que outras escolhas, que fazemos ao longo do nosso crescimento profissional, são tão importantes quanto a primeira. Ou seja, você precisará fazer muitas escolhas ao longo da sua carreira e, por isso, é muito importante que você aprenda tomar decisões.


A tomada de decisão é composta por um processo e vários elementos. O processo é composto por autoconhecimento e autorreflexão, pesquisa sobre o mundo do trabalho, habilidade de analisar, unificar e descartar informações e, por fim, ações para implementar uma escolha. Os elementos da tomada de decisão são características pessoais (valores, interesses, habilidades, dificuldades, etc.), características sobre o mundo do trabalho (profissões, cargos, remuneração, instituições de ensino, etc.), aspectos da personalidade, competências cognitivas e emocionais. Ufa! Parece muita coisa, mas à medida que aprendemos a fazer escolhas o processo se torna mais fácil porque já conhecemos os elementos ou meios para encontrá-los.


Para início de conversa você sentirá emoções como insegurança, medo, ansiedade e poderá até sentir euforia diante da possibilidade de uma escolha bem cuidada. Isso mesmo, não existe escolha certa ou errada. O que existe é uma escolha bem cuidada, que tem relação com quem você é em determinado momento da vida. Nada de ficar lamentando escolhas passadas porque isso só gera culpa e angústia, ok? Sentimentos e emoções fazem parte de nossas escolhas profissionais e você precisa aprender a gerenciar isso.


Como psicóloga e consultora de carreira há mais de 9 anos, citarei os padrões de tomada de decisão mais frequentes e que dificultam um processo de escolha. Caso você identifique que algum desses padrões está atrapalhando seu desenvolvimento de carreira, sugiro que você busque ajuda profissional. O atendimento de consultoria de carreira ajudará você a vencer os obstáculos da tomada de decisão.

Padrão 1: a pessoa que tem muitos interesses e pouca visão analítica.

Interesses profissionais são padrões de gostos por determinadas ocupações, contextos e atividades de trabalho. Como seres humanos complexos, é natural que tenhamos muitos interesses. A primeira pergunta que você deve se fazer é: meus interesses se conectam entre si de alguma maneira? Por exemplo, gostar de direito e desejar atuar em causas ambientais. Você pode ser advogado ambiental, uma especialidade da advocacia. Nenhuma atuação é composta por um único conhecimento e você deverá entender como integrar seus interesses.

Caso esses interesses não se conectem, você terá que escolher o que é mais importante quando você pensa em trabalho. Responda a seguinte pergunta: que tipo de problemas eu gostaria de resolver? Imagine que existem muitos problemas no mundo e as profissões e áreas de atuação resolvem esses problemas de diferentes formas. O que você tem vontade de resolver e a partir de qual conhecimento? Se você não desenvolver uma visão analítica sobre seus interesses e sobre informações do mundo do trabalho, discriminando o que é mais importante para você, seu processo de escolha será mais difícil.

Padrão 2: a pessoa que está mais preocupada em decidir do que avaliar cuidadosamente os critérios para fazer isso.

Existem duas situações nesse padrão: alguém que tem um prazo para tomar uma decisão (vestibulando, alguém com prazo para dar resposta sobre uma vaga de emprego, etc.) e a pessoa ansiosa por escolher que pensa sem “se livrar” desse “problema”. Na primeira situação, sugiro que você busque consultoria de carreira e deixe claro para o profissional que você tem um prazo e precisa de ajuda para fazer uma escolha rápida. O profissional irá avaliar as possibilidades de realizar mais de um atendimento semanal, caso ele se sinta confortável com isso.

Na segunda situação, as pessoas ansiosas, geralmente, tomam decisões precipitadas e podem se arrepender futuramente da escolha por terem negligenciado fatores importantes que deveriam ter sido pensados com calma. Por isso, menos ansiedade e mais cuidado ao tomar decisões podem evitar frustrações futuras. Então, caso você não tenha um fator concreto para apressar a escolha, evite esse padrão porque as escolhas de carreira são escolhas de vida.

Padrão 3: aquela pessoa que negligencia o autoconhecimento e escolhe pelo que está “em alta” no mercado de trabalho.

Fazer uma escolha profissional embasada no que o mercado está necessitando é algo muito comum, mas muito grave por dois motivos. O primeiro deles é que o mercado de trabalho muda o tempo inteiro, então, um profissional bem requisitado hoje pode não ser tão útil amanhã ou daqui 5 anos. O segundo e, na minha opinião o erro mais grave, é desconsiderar quem você é, o que gosta de fazer, seus interesses e perfil profissional. Esse erro é um convite para a frustração porque construir uma carreira exige esforço. Quando gostamos do que fazemos esse esforço traz o sentimento de “valer a pena”, gera satisfação profissional. Esforçar-se e sentir frustração é muito desgastante e desmotivador. Por isso, foque em fazer uma escolha que tenha conexão com quem você é.

Padrão 4: a pessoa que tem medo de assumir suas escolhas.

Na minha experiência com atendimentos de carreira percebi que muitas pessoas conseguem analisar todos os elementos necessários para fazer uma escolha profissional, mas quando chegam na hora de decidir elas não conseguem. Se você sente que, no fundo já sabe o que quer, mas tem alguma coisa que está “travando” sua decisão, pode ser que você esteja com medo de assumir o que deseja. Porque é difícil assumir? Porque enquanto não decidimos, não precisamos “fazer nada” já que ainda não escolhemos. Quando escolhemos a responsabilidade de agir para implementar essa escolha dá um grito como quem diz: “vamos lá, faça acontecer”.

O motivo do medo de não assumir suas decisões podem ter origens variadas, mas as origens mais comuns é o medo de não obter sucesso ou o medo de não ter aprovação de outras pessoas. Se você tem medo que a sua decisão não lhe traga sucesso, sinto muito em dizer: a carreira é sobre correr risco, não sobre ter certezas. Foque no que está no seu controle e aja estrategicamente para implementar suas escolhas profissionais focando em aprendizado.

Padrão 5: quem busca aprovação dos outros para suas escolhas.

Muitas pessoas possuem dificuldade de tomar decisões porque se preocupam muito sobre o que os outros irão pensar e buscam aprovação de familiares, cônjuge ou amigos. Esse padrão de escolha é delicado porque envolve questões de insegurança, autoestima e autoconfiança. Minha sugestão é que você procure ajuda de um psicólogo, consultor de carreira, para entender o que está por trás da busca de aprovação por suas escolhas. É necessário entender que você é a única pessoa responsável pela sua carreira, é você que irá trabalhar horas diárias em uma profissão e quem terá que fazer esforços para realizar suas conquistas. Então, essa escolha deve ser importante para você e não para os outros.

Padrão 6: quem não consegue entender que fazer escolhas é abrir mão.

É muito difícil existir uma escolha perfeita, aquela em que é possível tomar uma decisão de carreira com todos os elementos que idealizamos e que descarte por completo todos os elementos desagradáveis. As escolhas são acompanhadas de renúncias e você deve entender o que você está disposto a abrir mão. Aprenda a negociar as perdas consigo mesmo e foque naquilo que você não quer perder. O que é inegociável para você? As perdas implicadas nessa escolha não devem ser maiores ou mais significativas do que os ganhos.

Outro ponto importante de entender é que algumas perdas são temporárias e os ganhos tendem a ser mais duradouros, em longo prazo. Porque não mudar de cidade, trabalhar algumas horas a mais por dia por um período da vida, escolher fazer uma pós-graduação e trabalhar ao mesmo tempo? Tomar decisões de forma consciente e cuidadosa proporciona uma visão a longo prazo e facilita o entendimento de que, em alguns momentos da carreira, precisamos perder em curto prazo para ganhar em longo prazo.

Referências:

Farnia F, Nafukho FM and Petrides K.V. (2018) Predicting Career Decision-Making Difficulties: The Role of Trait Emotional Intelligence, Positive and Negative Emotions. Front. Psychol. 9:1107. doi: 10.3389/fpsyg.2018.01107

Hechtlinger, S., Levin, N. &Gati, I. (2017). Dysfunctional Career Decision-Making Beliefs: A Multidimensional Model and Measure. Journal of Career Assessment. DOI: 10.1177/106907271774867

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